Salto alto machuca. Todo mundo sabe. Você sabe. Seus pés imploram pra você parar.
Mas você usa. Por quê?
“Porque fica bonito.” Ok, mas bonito pra quem? Segundo quem?
“Porque me sinto poderosa.” Sério? Ou você se sente adequada a um padrão de poder que te venderam?
Esse texto não é sobre salto. É sobre todas as coisas que você faz sem questionar.
O piloto automático perigoso
A gente vive repetindo comportamentos porque “é assim que se faz”.
Salto no trabalho “pra ser levada a sério”. Maquiagem pra “estar apresentável”. Unha feita porque “relaxada não pode”. Depilação porque… porque sim.
Mas quando foi a última vez que você parou pra perguntar: “Eu realmente quero isso ou só internalizei que deveria querer?”
O teste do salto (que vale pra tudo)
Pega qualquer hábito seu. Qualquer coisa que você “sempre faz”. Agora responde:
1. Se ninguém fosse ver, eu ainda faria?
Se a resposta é não, você tá fazendo pra plateia. Não pra você.
2. Isso me serve ou eu sirvo a isso?
Salto te faz sentir bem ou você aguenta dor pra parecer bem?
3. Eu escolhi isso ou isso foi escolhido pra mim?
Pensa: quando você “decidiu” que precisava de salto/unha/sombrancelha/corpo X? Ou você só absorveu que “mulheres fazem isso”?
Os saltos invisíveis
Não é só sobre sapato. É sobre tudo que você faz porque “tem que fazer”:
Sorrir quando tá puta
Ser simpática com gente escrota
Desculpar quando não fez nada de errado
Diminuir seu sucesso pra não “intimidar”
Fingir que não liga quando ligou
Você tá vivendo com vários saltos invisíveis. E todos machucam.
Metade das coisas que você acha que são “suas preferências” são só conformidade disfarçada.
Aquele batom que você “adora”? Você realmente gosta ou só aprendeu que “dá cor no rosto”?
Aquele cabelo alisado? Você prefere liso ou só não quer lidar com o olhar sobre o cacheado?
Aquela carreira? Você ama ou só não quer decepcionar quem investiu na sua formação?
Não estou dizendo que tudo é mentira. Estou dizendo: se questione.
Como separar o que é seu do que é pressão
Experimento radical:
Escolhe UMA coisa que você “sempre faz”. E para de fazer por 1 semana.
Não pinta a unha. Não usa salto. Não responde msg na hora. Não sorri educadamente pra comentário babaca.
Observa:
Como você se sente?
Como as pessoas reagem?
O mundo acabou?
Você sentiu FALTA ou sentiu ALÍVIO?
A resposta vai te dizer se aquilo era seu ou era performance.
A liberdade de desistir
Você pode parar.
Pode parar de fazer tudo que “deveria”. Pode usar tênis. Pode sair sem maquiagem. Pode ser “grossa” (leia-se: assertiva). Pode decepcionar.
E sabe o que acontece? Nada.
As pessoas se adaptam. Você se adapta. E descobre que consegue viver perfeitamente bem sem metade das coisas que achava obrigatórias.
A pergunta que muda tudo
Da próxima vez que você for fazer algo automaticamente, para. Respira. E pergunta:
“Eu tô fazendo isso pra mim ou pra caber?”
Se for pra caber, você tem uma escolha a fazer.
Pode continuar. Sem julgamento. Às vezes a gente escolhe caber mesmo sabendo que é uma escolha.
Ou pode parar. E descobrir como é viver sem essa armadura.
Ambas são válidas. Desde que sejam conscientes.
Porque salto (literal ou metafórico) só vale a pena se for VOCÊ quem escolheu usar.
Não porque te disseram que sem ele você não é suficiente.
Qual é o seu “salto”? Aquela coisa que você faz sem questionar? Comenta aqui. Vamos questionar juntas.